Nem aquela que escreve, sou eu
- Samadhi Co.

- há 19 horas
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A minha versão de alguns anos atrás nunca reconheceria a mulher que escreve hoje.
Trabalhando com uma medicina antiga, com uma loja que nasceu e acompanhou um longo caminho, as vezes me pego olhando para trás e vejo a menina de dezenove anos largando a faculdade de arquitetura no meio sem saber exatamente o que buscava. A única certeza que ela tinha era que não era aquilo, que aquele caminho não era dela.
Foi assim que cheguei no Yoga, e do Yoga, várias portas se abriram: formações de terapia holística, aromaterapia, ayurveda, cristaloterapia.... Cada uma delas me dava um pedaço, mas nenhuma fechava o quebra-cabeça inteiro.
O fechamento veio de algo que eu não conhecia, e nem nunca tinha ouvido falar, nessa época. O primeiro local que eu dei aula de Yoga, era cuidado pelo Gabriel, um aluno antigo do professor Jonas Masetti. Em um final de semana, ele trouxe o professor Luciano para ministrar um Workshop de Vedanta, o tema era "Assuntos polêmicos da espiritualidade." Foi um verdadeiro divisor de águas ali. Meus olhos brilharam de uma forma que eu nem sabia que eles conseguiam. Não foi um conteúdo novo... Foi muito mais como um reconhecimento de que ali estava o que eu tanto buscava, mesmo sem ainda conseguir nomear.
De lá pra cá, estudando na Escola Vishva Vidya (http://vedanta.com.br), sinto que mudou tudo. Sem exagero.
Mudou a forma como eu me relaciono com tudo, comigo mesma, com a vida, com os meus pais, os meus relacionamentos amorosos, e com as pessoas no geral. Mudou como eu lido com as minhas emoções, como eu tomo as minhas decisões, quais valores sustentam as minhas prioridades... Não é como uma mudança de comportamente que eu decidi ter, é mais como se o chão em baixo de tudo isso tivesse ficado diferente... E o comportamento foi só o reflexo.
Onde isso fica muito claro é no meu trabalho com o Cacau. Hoje, eu finalizei uma Jornada de 7 dias conduzindo algumas mulheres em meditações profundas de limpeza e de conexão. Eu não deixei a síndrome de impostora vencer, aquela voz que fica sempre me dizendo que ainda não estou pronta, se eu tenho realmente capacidade de estar naquela papel, se eu sei o suficiente. Antes de todo esse movimento interno que Vedanta fez em mim, essa voz me paralisava. Hoje, quando ela aparece, eu tenho uma coisa mais forte para colocar a frente dela: O entendimento de que não é esse "eu" que faz nada. Quando eu entendo isso, não como uma frase bonita a ser repostada mas sim como algo realmente a ser sentido no corpo, a pressão de precisar provar alguma coisa se solta. O ritual acontece, o encontro acontece, e eu não preciso carregar sozinha o peso de ser suficiente "sozinha", sabe?
E foi tão bom. Foi tão bom ultrapassar essa voz e poder oferecer e transbordar tudo aquilo que meu coração já recebeu. Poder só observar como essa água cristalina que vem das nascentes mais puras podem passar por mim e começar a serem transbordadas, por essas mulheres, por suas relações e tudo que está ao redor delas que também será tocado, de alguma forma.
Acho engraçado pensar que a jovem arquiteta insatisfeita virou uma melhor que usa o cacau como uma ferramenta que pode ajudar de verdade a vida das pessoas, que estuda os textos mais antigos da Índia, aprende com grandes mestres estudiosos, no sentido literal, e também muitos que aprendem diretamente do contato de uma vida toda com a natureza, e faz todo sentido quando vejo o fio que atravessa essa história, desde os desejos e pensamentos mais profundos daquela criança curiosa... Sempre houve a busca. Sempre houve o desejo de entender o que sustenta as coisas por debaixo da superfície. Hoje, com o que eu aprendo com o professor Jonas Masetti (http://vedanta.com.br/jonas-masetti) essa busca ganho um chão firme. Não porque considero que encontrei todas as respostas, mas porque entendi que a pergunta em si já é o caminho, e que eu não preciso ser a autora de tudo para que a vida aconteça através de mim.
É esse chão que eu quero trazer para dentro do meu trabalho com o cacau, esse chão que quero seguir cultivando aqui nesse espaço, como brever conversas, partilhas e reflexões.
Espero que te sirva,
Com amor,
Belle

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